Um pós-final moderno-realista.

A estória acabou, (se foi que ela existiu) na página anterior. E, apesar de não tencionar ser um narrador-defunto (melhor seria não me atrever) deixo aqui um último relato (para ser lido ou não) que não são simples demonstrações de pensamentos estranhos e deformados de uma mente inconsciente e obscura, mas sim, uma tentativa poética de sintetizar todos meus inenarráveis e fúlgidos pensamentos de uma forma efêmera e que resultasse em um final de fato, pois o verdadeiro parecia muito fatalístico, digamos assim. Cá sou eu, o personagem, o narrador, o autor e até mesmo, o escritor; um pouco morto (completamente) mas vivo o suficiente para escrever-te estas últimas e singelas palavras, para mostrar-te quão bem ficarei (e até para que sintas inveja) mas não deixes de pensar quão triste ainda assim o estou, definitivamente por causa de nossa infeliz sociedade que se transforma sempre para pior e pior até um ponto no qual inacreditavelmente ela consegue ficar pior ainda. Exatamente assim que me perco em pensamentos convertidos em palavras e rabisco mais linhas do que deveria, o que fará o leitor acreditar que não se trata mais de um pós-fim, mas sim uma continuação para um fim verdadeiro, o que realmente não é meu objetivo. Fato é, que somente então agora que falo contigo, tu que lês meus pensamentos de uma forma indiscriminada e sem vergonha, tu que invades minha privacidade, sem ao menos te constranger, sem ao menos te faltar o ar, sem ao menos uma recriminação pessoal, uma reflexão momentânea, sem ao menos nada. Enfim, este (que não era pra ser) se tornou um prólogo para um pós-fim (apesar de todas suas contrariedades) e depois de prologar, por finalmente, por fim, terminarei e agora após ler este emaranhado de palavras (com sentido ou não) ou até mesmo não ler, ou simplesmente passar os olhos, ler mas não ler, ver mas não ver, enfim, após tudo isso, por fim, agora, fiques a vontade para enfim terminar teu livro que já não mais (provavelmente nunca) é de minha propriedade, propriedade de meus pensamentos, que, infelizmente, têm a mania de me trair, de me pôr em situações ardilosas, contraditórias e ter o vício de produção que me deixa louco, mesmo depois de morto. Enfim, por fim, pela última vez, minhas últimas palavras, meus últimos versos:

.

.

.

Por fim, vou-me embora mais cedo

sem presenciar a guerra

sem presenciar o caos

Mas com a infeliz esperança

De sua iminente intemperança em forma de dança

.

Por fim, vou-me embora mais cedo

sem presenciar a paz

sem presenciar a harmonia

Mas com a infeliz esperança

De que nunca entrarão na dança nem que virão a existir

.

Por fim, vou-me embora mais cedo

Mas não te enganes

pois apesar dos pesares

vou muito bem

pois para onde vou

Lá sim,

Sou amigo do amigo do rei

6 Comentários

Arquivado em folhetins digitais

6 Respostas para “Um pós-final moderno-realista.

  1. Antonio

    Parabens.. curti msm..
    Msm tendo um pesamento um pouco mais positivista em relação a vida, gostei do modo que tu interpretas a coisa toda..
    continua escrevendo e postando!
    Abração do Antão

  2. Luciane (Túti)

    Espero que não tenha acabado e q tenhamos novas leituras em breve.
    Parabéns! Bjs!

  3. Infinitas vezes senti vontade de comentar, mas me segurei, ora por preguiça de escrever, ora por não querer apenas comentar, mas acho que no fundo pra realmente não atrapalhar, enfim. Agora que temos um fim, que coisa… um fim. Sempre estamos em busca do maldito fim, e o resto que passe corrido, o resto… não seria o tudo? “jovem” parabéns pelas observações no tudo que antecedem o fim.
    abração!

  4. Anonimo

    Sempre tive vontade de sintetizar meus pensamentos em palavras, mas como sou novo, não sei como fazer isso. Então busquei na Internet um meio de poder por o que eu penso em um papel, foi quando eu achei seus pensamentos. (:
    Foi algo como um “tradutor”, encontrei em suas palavras um jeito de interpretar os meus pensamentos.
    Muito obrigado por essas palavras dirigidas indiretamente a mim e PARABÉNS! ô/

  5. Você escreve muito bem! :O

  6. Engraçado, parece que posso chamar-te de amigo após a morte anunciada… mas não, amigo é coisa para gentes, e o que faz eu parecer poder chamar-te de amigo é que ambos somos assim animais (e dos piores:) (os chamados) racionais
    (pero no tanto)…
    e assim parece que nos conhecemos, mas tchê, não contemos essa história agora – deixemos-la para um pós-final, que fica melhor do que um começo…

    Salves – a essa distância! mas:
    Salves!

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